A cada degrau que eu subia, meu pensamento se dividia. Metade pensava “meu Deus, olha aonde viemos parar!” e a outra metade pensava “é sério que tem algum idiota que resolveu fazer uma maratona passando por aqui, com todos estes degraus?!”. E o incrível é que, não importasse quão rápido ou devagar eu subisse, a cada passo eu conseguia me fazer estas duas perguntas. Dava tempo! Mas, enfim, ganhou a primeira sensação: meu Deus, olha aonde viemos parar!
A muralha é algo indescritível, será ridículo tentar descrevê-la – e as fotos jamais conseguirão também, já que a névoa de poluição continua predominante lá. Mas me darei ao luxo de ser ridículo, como por tantas vezes somos durante a nossa vida afinal...
Logo que descemos da van meus olhos não queriam mais piscar. Estávamos nos pés de uma das montanhas mais altas da muralha, que agora me falha o nome mas depois hei de registrar aqui, e em toda a nossa volta víamos pedaços da muralha. A muralha é um muro gigante que fica exatamente em cima das montanhas pelas quais ela passa. Ou seja, em sua grande maioria são degraus, ou rampas. Não há parte plana, como aqueles muros de cidade que vemos nos filmes...
A cada tanto existem postos de vigia, nos quais é possível subir e ganhar 4m de altura para vislumbrar um pouco melhor tudo ao redor. Mas legal, mesmo, é continuar subindo, subindo, subindo...
A construção impressiona não só pelo tamanho, mas pela robustez. O muro deve ter cerca de 5m de altura, e uns 4m dele são sólidos (piso), com os degraus feito de pedra que está, aos poucos, se desgastando. E é muita, muita gente...
Aqui tenho uma observação medonha (pela ingenuidade dela), mas enfim... Algo que me impressionou muito foi a quantidade de chineses lá na muralha, fazendo turismo como nós. É estranho porque, quando pensamos em outro país, e pensamos que este país tem algo tão especial, de certa forma parece que imaginamos que todos os habitantes daquele país já passaram por lá, certo?! Pelo menos minha cabeça pensa isso de forma automática... Porém, pensar isso é o mesmo que pensar que todo brasileiro já visitou o Cristo Redentor e adora jogar futebol. É claro que não é assim!
Assim sendo, lá estávamos em meio a muitos, muitos chineses! É muito difícil subir os primeiros estágios da muralha, é muita gente em trânsito, muitos velhinhos subindo degrau a degrau, é incrível. Mas à medida que você sobe, a quantidade de pessoas que segue vai diminuindo... Chegamos bem alto antes de meu pai parar, e eu continuei até o topo – que estava pertinho, na verdade... Ela não é muito alta: tem cerca de 400m de desnível entre o pé da montanha e o topo... Como os degraus são altos (cerca de 25cm cada um, a maioria), 400m / 25cm dá... é, muito degrau!! Pernas, pra quê te quero!
Enfim... Como eu falei, não é possível descrever a muralha, e as fotos – quando eu postá-las – não serão nada diferentes do que a gente já vê por aí procurando por “great wall” no Google. Acho que este é um daqueles lugares em que é preciso estar lá, respirar o ar de lá, para entender a magnitude dele... Quer dizer, como é que uma pessoa tem poder suficiente para construir um muro assim, de centenas de milhares de quilômetros?!
É esse pensamento, essa pergunta, que acabou despertando um interesse enorme em nós pela história da China. Aliás, não um interesse... Uma admiração ou algo assim. Isso nos impressionou muito... Ok, a Europa é cheia de historinhas de reis. Mas o imperador aqui tinha 3000 mulheres, e quando ele morria ele levava 30 com ele! Sério, olha o poder do homem!!!
Bom, como eu falei... Descrever a muralha faz ela parecer o muro do quintal da nossa avó. Tentarei postar as fotos em breve, mas no meu caderninho de “100 coisas pra fazer antes de morrer”, esse já foi (e valeu muito a pena)!! Abraços, e ponto.
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