quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um panorama socio-econômico de China versus Brasil

Algumas semanas depois do meu retorno, percebo que estou em um ritmo ainda alterado. Não dá pra dizer, ao certo, por quanto tempo isso irá perdurar - tampouco se é definitivo, mas é fato que a viagem para a China realmente mexeu com meus valores e pensamentos. Voltei diferente, em muitos aspectos, mas estas diferenças reservarei para mim mesmo e para os amigos mais próximos - que me perdoem os mais distantes...

Retorno a este blog, hoje, para me despedir e para tentar repassar um pouco do "baque" que eu tive nestas três semanas em que estive em solo oriental. Apesar de inevitável, peço que se esforcem ao máximo para não encarar este texto como uma lição de moral. A forma certa seria, meramente, uma visão de mundo diferente.

É que, se pararmos mesmo para olhar bem de perto, é quase impossível acreditar que China e Brasil pertencem ao mesmo planeta! Aliás, cheguemos mais perto: ao mesmo grupo econômico! "BRICs"... É preciso conhecer a China para ver que colocar o nosso país na mesma divisão econômica que ela é uma grande piada - e de muito mau gosto - que algum comediante desses de stand up fez e o resto do mundo ocidental levou a sério. Meramente comparar os dois países chega a ser um absurdo, pra ser bem sincero...

Que não se engane o leitor: eu sou brasileiro e não troco este país por nada! Mas aqui a gente acha graça do nosso amigo que roubava doce na loja, ou do outro que dirige bêbado, do que se exalta com futebol, quebrando nossos ônibus e destruindo nossas praças, e dá de ombros para a corrupção e a ladroagem que está impregnada em nosso dia a dia. Corrupção, no Brasil, nem soa mais esquisito. Já se ouve falar tanto dela que desviar dinheiro é algo meramente esperado - a gente vota esperando que roubem menos, e não que não roubem... Olhando assim, - puxa! - que moral temos para falar de outros países!

Mesmo assim, basta colocar os pés - ou melhor - as rodas do avião na China para ver que se trata de um país muito diferente. Ficamos 10 minutos (dez minutos!!) taxiando na pista de um dos aeroportos internacionais de Shanghai (sim, tem dois internacionais) até chegar em um finger - sim, haviam fingers suficientes. Mais tarde, descobriríamos que o aeroporto de Pudong tem, somente em um terminal de embarque, mais de 400 guichês de check-in. Veja bem: é apenas um dos terminais de um dos aeroportos da cidade! Os chineses dão um tapa na cara de nós no quesito infraestrutura aeroportuária...

E nos outros quesitos também. Parece que os problemas simplesmente são resolvidos. O aeroporto ficou longe da cidade? Eles resolveram construir um dos mais eficientes metrôs do mundo, capaz de fazer o aeroporto - centro de Shanghai em menos de 1 hora. São cerca de 40km de carro! Aliás, todas as principais cidades têm mais de 10 linhas de metrô, e as obras de ampliação são constantes. Aqui em Curitiba, serão gastos R$2bi em um metrô que vai ligar nada a coisa nenhuma daqui a uns 10 anos... Lá, as linhas surgem a cada 6 meses.

Mas por falar em desafio, que tal um metrô embaixo do mar? Ou dentro de uma ilha? O metrô de Hong Kong é um dos mais belos e limpos que já vi, e está lá, passando por dentro do mar... Aqui é difícil até fazer um barquinho passar por cima da água sem gerar algum transtorno. Se isso fosse no Brasil, aliás, consigo até imaginar o bate-papo que rolaria: o projeto custaria 500 vezes mais, deixaria muitos milionários, receberia o nome do governador do estado, e não atenderia um décimo do que ele poderia...

Culturalmente eles também nos dão um banho... Você acha que eles trabalham muito? Pois eu nunca vi um povo tão ligado à família... Em todos os pequenos negócios via-se a família inteira trabalhando: pai, mãe e filhos. Fosse uma lojinha, ou mesmo um pano com artigos aleatórios sendo vendidos no meio da rua, estava lá a esposa e o marido, lado a lado, montando a lojinha!

Julgamos a China de acordo com a nossa cultura, e isso está completamente errado! Temos a ideia de que eles são emergentes porque, afinal, o dinheiro deles não vale nada perante o resto do mundo. Mas dentro da China eles são muito felizes: comem bem, viajam muito, consomem muitos eletrônicos e todo o resto que é necessário pra eles!

Não é correto, portanto, compararmos a cultura deles com a nossa e acharmos que eles precisam evoluir para se tornarem um país de primeiro mundo. Honestamente? Eles estão muito à frente do resto do mundo. A impressão que dá, por mais "teoria da conspiração" que isso seja, é que o mundo tenta frear o crescimento e o valor que a China já tem através de uma falsa propaganda de que o país "está indo bem mas precisa melhorar"...

Tudo, tudo na China impressiona. As coisas funcionam, acontecem... Centenas de fábricas desenvolvendo tecnologia. Não é verdade que eles falsificam tudo... Eles são muito inteligentes, e possuem mesmo muita tecnologia! Investem horrores em pesquisa, em estudo, em capacitação, e tudo isso pode ser visto a todo momento por lá. E que não se enganem os espertinhos: a China não quer se tornar a fábrica do mundo. É o resto do mundo que está colocando a China neste lugar!

E é isso, simplesmente isso... Não existem palavras que possam definir a realidade lá do outro lado do mundo. É preciso estar lá para entender realmente o que se passa, o que é e o que não é... E eu não sei, honestamente, porque é que você, que está lendo este blog, ainda não planejou a sua viagem! Um forte abraço, até a próxima, e ponto final!

sábado, 28 de abril de 2012

Hong Kong: a Florianópolis asiática

É uma situação um pouco confusa (pelo menos era pra mim), mas ao chegar em Hong Kong logo se percebe com clareza que isso aqui é um país completamente diferente. Diga-se de passagem, um país formidavelmente diferente!

Levamos quase 12 horas para efetivamente viajar... Por mais que o voo levasse apenas 3 horas (levou 4 devido ao mau tempo em Hong Kong), entre sair do hotel em Xi'an e chegar no hotel em Hong Kong o caminho foi muito longo! Imigração aqui, emigração lá, e uma confusão no taxi que nos fez ir para o Holiday Inn errado até! O problema é que, em Hong Kong, não se fala nem mandarim, se fala cantonês. Ou seja, já pelo idioma começaram as complicações!

Mas, vencidas as dificuldades iniciais, vamos falar das coisas boas... Logo de cara, na verdade, vindo do aeroporto, notamos que não era uma cidade-país qualquer... Os túneis no caminho brilhavam de limpeza e cuidado, todos pintados de branco e muito bem iluminados e sinalizados. Chovia muito, mas era possível ver que até os guindastes do porto eram iluminados, simplesmente para dar um ar de luz para a cidade. O pessoal que reclama da construção de Belo Monte devia vir até aqui ver o que é realmente um país precisar de energia. Saímos agora à noite para dar uma volta a pé, para vocês terem uma ideia, e parecia de dia! No meio de uma rua muito semelhante à rua XV, era possível enxergar claramente. Em alguns pontos, a luz até ofusca a visão!

E, apesar da chuva ontem (que quase não nos deixou pousar), hoje o dia só amanheceu nublado. Com isso, fomos até o Peak Tram, um bondinho pra lá de simpático aqui - e tradicional também, opera desde 1888 - que nos leva ao pico de um morro de pouco mais de 500m de altura. De lá, ainda dá pra subir em um terraço e chegar ao ponto mais alto de Hong Kong. Nós, alegremente, subimos no terraço no momento em que estava tudo entubado (dentro da nuvem). Ou seja, não vimos nada! E assim que descemos, abriu! Mas tudo bem, conseguimos ver tudo muito bem alguns metros abaixo e nos deliciamos com aquela vista espetacular...

Aqui é muito mais ocidental, na verdade. Hoje, por exemplo, almoçamos Burguer King, tomamos café no McCafé e jantamos num local muito bacana chamado "The Spaggethi House". A caixa do supermercado falou inglês conosco, tal como todas as atendentes das lojas e todo o resto do povo. Então você acaba ficando mais à vontade...

E o dinheiro é esbanjado aqui com muito gosto. A toda hora tem um Porsche ou Lamborghini à vista e, à exceção dos taxis que são feios de doer, só tem carro grande na rua. Se todo mundo tem dinheiro nunca saberemos, mas que todo mundo faz questão de dizer que tem, isso faz!

E o clima é super tropical. É a primeira vez, na China, que eu vejo muitas chinesas de shorts e roupas leves, e os chineses de bermuda. Aliás, ok, não são chineses, mas você entendeu! As sorveterias e cafés aqui são muito movimentados, e todo esse clima perto do mar - que é fenomenal - faz mesmo lembrar Floripa! Hong Kong, então, é como uma floripa aqui na Ásia! E se a Floripa original já é mágica, imagine esta aqui! Abraços, e ponto.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O exército de Terracota e a noite em Xi'an

Apesar da poluição não ser ausente aqui, Xi’an é uma cidade bem menor e, por isso, a poluição também. São “somente” 4,5 milhões de habitantes por aqui, o que dá um ar bastante despreocupado e de interior à cidade. Interior da China, é claro.

E foi nesse ar de cidade do interior caótico que caminhamos até a ferroviária de Xi’an, em busca do ônibus 306. O destino foi o museu do exército de Terracota, aqueles homenzinhos esculpidos em barro que visavam proteger o imperador morto (coisa de Chinês). E o negócio é mesmo impressionante... São trocentos mil soldados e, até agora, nenhum igual foi encontrado! Isso significa que, mesmo que a produção tenha sido feita em série, eles foram feitos um a um. E são perfeitos em tamanho, proporção e expressão... Arqueiros, cavaleiros (cavalos inclusive), infantaria, tudo é muito preciso...

Mas aqui uma “descoberta”... Sabia que eles estão todos despedaçados? Quem acha que eles foram encontrados enfileiradinhos está redondamente enganado! Eles estão todos despedaçados... A cena das escavações, na verdade, parece um pós-terremoto: pedaços de corpos meio enterrados, com expressão humana, e que vão sendo juntados e expostos pelos chineses que trabalham ali... É mesmo incrível como pode alguém fazer aquilo!

E, passado o auge da cidade, resolvemos matar tempo por aí... Descobrimos que Xi’an é algum tipo de polo de atacado (de tudo). Sapatos, roupas e bugigangas, aqui são shoppings e mais shoppings enormes, com muitas lojas de muitas coisas. Sério, são milhares de lojas, e milhares de caixa indo e vindo a todo instante... É algo desesperador. Caminhamos por mais de um km com muito trânsito de mercadorias por todos os lados... Meu pai não parava de filmar tudo, era realmente alucinante...

À noite, devido à nossa experiência da janta de ontem, sugeri que fôssemos ao centro da cidade comer na Pizza Hut. Pegamos um táxi e fomos... E o visual noturno da cidade nos deixou boquiabertos... Os muros eram todos iluminados, com cada torre de vigia completamente iluminada. Dentro da cidade, os monumentos também iluminados davam ao lugar um ar mágico. Aliás, toda a noite aqui é iluminada... Os prédios sempre têm uma iluminação diferente. Jogo de luzes, estáticas ou dinâmicas até, transformam a noite das cidades chinesas e algo alucinante! É preciso, mesmo, conhecer as cidades em dois períodos: de dia e de noite!

E agora estamos matando tempo... Hoje é um dia de trânsito para o nosso último destino turístico: Hong Kong. Aqui, novamente muita expectativa sobre o que nos aguarda... E vamos que vamos! Abraços, e ponto.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Xi'an: a aventura continua (e aumenta!)

A ferroviária de Beijing poderia ser comparada à rodoviária de Curitiba, guardadas as devidas proporções. Mas não é por mal ou descuido: como não é um lugar considerado muito turístico, eles tratam da forma como está legal para eles. E, infelizmente, nós temos um conceito de higiene diferente do deles!

Mas antes de ir para a ferroviária a aventura já havia começado. Chovia muito em Pequim e, quando resolvemos sair do hotel (às 14h) para ir até a ferroviária, nos deparamos com uma situação ingrata: não tinha taxi! O trânsito da cidade estava um caos, e os táxis estavam todos ocupados... Esperamos quase uma hora, e levamos mais quase outra hora pra chegar na ferroviária – que ficava a 20km de onde estávamos! Mas, enfim, chegamos!

Após uma pequena aventura para imprimir os tickets do trem, fomos lá aguardar o horário... Resolvemos jantar por ali mesmo, e foi a primeira vez que comi espagueti com os tais “palitinhos”... No começo foi difícil pra caramba, mas depois foi só alegria (risos)...

Nosso trem para Xi’an era destes noturnos, e levou pouco mais de 11 horas para chegar até a cidade. Como optamos por uma cabine “hard sleeper”, tivemos um certo conforto na viagem, na qual dormimos praticamente todo o tempo...

E chegamos! Xi’an é uma cidade pequena, “do interior”. Tem apenas 4,5mi de habitantes, e isso dificulta muito as coisas para os ocidentais. A cada passo que demos na cidade, descobrimos isso. Mas faz parte da aventura – e o exército de Terracota há de compensar o esforço! Além disso, é uma cidade bem mais limpa do que Pequim (o ar, no caso, é mais limpo). O céu hoje estava aberto, estava quase azul!!!

Assim que chegamos, meu mandarim foi testado. Os vouchers dos hotéis (se você planeja vir pra China, tome isso como lição e dica!) estão todos em português – ou melhor, meio português e meio inglês, mas ninguém aqui lê esses textos... E como os nomes dos hotéis em inglês não são os mesmos que em chinês, ferrou tudo! Pra completar, meu celular estava sem crédito! Arrisquei então “traduzir” o endereço que li para mandarim, e não é que chegamos no hotel?! Não sei se ficamos mais felizes nós ou o motorista do taxi, mas sei que todo mundo vibrou! (risos)

E chegamos no hotel, onde ninguém falava inglês! Nosso checkin foi a coisa mais engraçada que eu já vi... Todo mundo aqui sabe falar “hello”, mas o inglês acaba por aí! E o das meninas do hotel não era diferente... Agora, imagine: com um inglês limitadíssimo e um voucher em português nas mãos, as meninas estavam simplesmente doidas! (risos)

Mas, vencidas as dificuldades, finalmente chegamos no quarto. Uma coisa muito legal aqui, pelo menos até agora, é que os quartos “duplos” aqui têm duas camas de casal! Não é como no Brasil, duas camas de solteiro que você mal cabe dentro (sempre tenho este problema...). Aqui, as camas são sempre grandes! É muito bacana!

Bom, banho tomado e fomos fazer um passeio diferente. Alugamos duas bicicletas por RMB40 cada e demos a volta por cima dos antigos muros da cidade. Isso foi muito bacana! É um pedal de 14km, praticamente plano, de onde é possível ver algumas coisas da cidade... Na verdade, não é um pedal onde você consiga ver muito longe... Mas os muros são muito largos, havia uma música chinesa tocando num volume ideal e o passeio foi algo muito divertido... Parecíamos crianças pedalando pra lá e pra cá.

E aí o passeio por Xi’an continuou... Há uma rua de muçulmanos aqui em que as culturas se misturam e o resultado é assustador (mesmo, e no mau sentido!): sai cada comida que não dá nem coragem de olhar!! Mas é legal mesmo assim, meu pai filmou muito! (risos) Depois ainda saí para uma corrida, que foi bem judiada pelo trânsito caótico e pelo ar seco. Mas fui!

E agora à noite aconteceu a máxima do dia... Saímos para jantar mas, como é uma cidade “interiorana”, não tem muita coisa voltada aos ocidentais por aqui... Eu sugeri, então, que comêssemos no hotel, mas meu pai insistiu que o restaurante do lado devia ter algo bom! Assim que entramos, duas pessoas vieram nos atender. “Hello” foi tudo o que elas sabiam falar... Então começou a juntar muita gente enquanto foleávamos o cardápio e, com a ajuda de um dicionário que tenho no meu telefone, fomos encontrando as palavras e perguntando se tinha isso e aquilo. Sei que, quando vimos, sete pessoas rodeavam nossa mesa na expectativa do que falaríamos! Foi muito engraçado, e muito cômico também! O resultado? Bem, eu comi uma carne de boi que eu não tenho a menor ideia de como era, porque era gelada (parecia defumada?!), e arroz branco. Meu pai com uma sopa de espagueti (ah, sim, espagueti aqui é sempre ensopado hehe), e se matou pra comer com os palitinhos (não tinha garfo! risos). E era um restaurante super bom... Isso, portanto, não é conversa fiada: quer vir pra China, aprenda a comer com os ditos palitinhos! Ou morra tentando (risos)...

E chega de texto! Amanhã vamos ver o exército de Terracota. Dizem que são milhares de soldados e nenhum deles é igual! Só acredito vendo (um a um). Abraços, e ponto.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

[Sobre a China] País das bicicletas? É, algo neste sentido...

Os ciclistas ativistas sempre dão um jeito de jogar a China como exemplo de saúde, que usa muita bicicleta pra se locomover e etc... Bem, a notícia triste é que as bicicletas aqui são, em sua maioria, elétricas! Pouquíssima gente pedala efetivamente por aqui... A ideia do motor elétrico é tão forte que eles tem muita scooter elétrica também, é muito usada!

E as bicicletas, infelizmente, não refrescam quase nada da poluição das cidades, que parece já fazer parte da paisagem (não vemos sol desde que chegamos aqui). Então, talvez seja prudente não falar mais na China como o país das bicicletas: a China é o país das motos elétricas!

[Sobre a China] Os chineses e o "inglês"

Que me seja isentada a culpa da prepotência, mas quem acha que vai ser feliz na China falando inglês tupiniquim ficará redondamente frustrado! Aqui, apenas os jovens falam inglês (e olhe lá!), salvo raras exceções, e quando você solta a primeira palavra em mandarim eles realmente acham que você manja e despejam tudo o que conseguem falar em mandarim em um intervalo curto de tempo! E você não entende nada! risos

Mas, falando rapidamente do inglês... É incrível como eles cometem erros grotescos em ambientes grandes. Nem nos bancos as mensagens estão em um bom inglês. Numa placa de um restaurante bom, estava escrito Juise (para suco). E eles parecem não estar nem aí para isso... É como o Alexandre falou: não é ingles, é "chinglish". Desta forma, com a convivência, estou mais ou menos assim: meu português está indo pro buraco (esses dias eu disse pro meu pai "lembra que amanhã fomos lá?"). Meu inglês está virando chinês. E meu chinês está virando algo diferente de tudo o que eu já falei! risos... Mas vamo que vamo!

Beijing, a cidade proibida e o zoo

Algo muito curioso sobre os chineses é que eles são muito, mas muito malandros. Mas não são aqueles malandros que querem te ferrar: eles só querem ganhar um pouquinho em cima de você, turista, que chega aqui ingênuo e cheio de dinheiro. Por isso, é necessário tomar muito cuidado com tudo o que acontece à sua volta.

Em geral, se alguém para pra te ajudar espontaneamente, este alguém quer algo. Normalmente, é te levar pra tomar um chá e aplicar um golpe... Mas sabe qual o golpe? Eles te levam em um lugar super caro e é você quem paga a conta. Não te roubam, não te batem, e nem fazem nada à força. É super estranho (chega a ser tosco!)...

E é bem por isso que a gente acaba se acostumando a ser, digamos, um pouco menos polido aqui. Não dar bola pra ninguém na rua, furar a fila e segurar “à força” alguém que queira furar (isso é bem engraçado; por duas vezes veio algum chinês querendo furar a fila e eu simplesmente entrei na frente do cara; eles se entreolham como quem diz “opa, o cara não vai deixar a gente furar, deixa pra lá”). E a única esperança nossa é que não levemos isso para o Brasil (risos)...

E nesse empurra-empurra, resolvemos passear um pouco de metrô. Aqui em Beijing, o metrô é muito eficiente, e custa apenas RMB2, o que equivale a menos de R$0,50... É ridículo de barato e muito fácil se locomover. E na verdade os táxis também são (na China inteira custa, em média, RMB2 por km, o que também dá menos de R$0,5/km). Mas entre pagar RMB30 e pagar RMB4 para irmos até qualquer ponto turístico, sejamos espertinhos, vá (risos)...

E fomos, então, finalmente, à cidade proibida de verdade. Meu Deus, pensa em algo muito grande! Ali seria o “palácio” do imperador, e mais onde todos moravam... É imenso, com muitos quartos, muitos cômodos e, certamente, muitas histórias... Reza a lenda que o imperador aqui tinha mais de 3000 esposas (haja viagra!!), e todas elas morando por ali... Não é fácil não!

Aqui optamos por ir sem guia, e por RMB40 eu aluguei um guia automático. À medida em que entrávamos pelas portas da cidade, o guia nos mostrava onde estávamos e contava toda a história do local. Amantes, crianças, ciúmes... A impressão que temos é que juntar 3000 mulheres não é muito fácil mesmo! As histórias sempre envolvem assassinato ou alguma maldição (risos)...

Bem, a cidade também é algo indescritível, apesar de termos ficado mais impressionados com a muralha (que dúvida!)... E saímos da muralha em direção ao Jingshan Park, um parque que possui uma pequena montanha onde é possível ver toda a cidade proibida. Ou talvez fosse possível, na época em que a poluição ainda não tinha tomado conta do ar. Ainda assim, as escadarias valem a vista!

E resolvemos almoçar. Paramos em um restaurante chinês, destes de comer na calçada, e resolvemos encarar. O cardápio estava em inglês, o que nos ajudou, e novamente uma jovem nos ajudou com o pedido. Isso sim é muito legal. Tem sempre os golpistas de rua, mas os consumidores que falam inglês e estão no mesmo lugar que você estão sempre dispostos a ajudar... Talvez seja algo a ser seguido, porque a sensação de alguém vir falar inglês e te ajudar a fazer um pedido no restaurante é uma sensação de alívio muito boa! E, enfim, meu pai foi super bem com os kaui zi e a diversão foi garantida!

E daí fomos ao Zoo! Haha, aqui, no caminho, novamente fomos abordados por três mulheres que tentaram nos levar para o chá. De qualquer forma, elas nos ajudaram com o metrô, foram legais e nem insistiram no chá (entende? Eles são malandros bonzinhos!).  E no zoo viramos crianças em frente ao panda, ao leão, ao tigre e por aí vai! (risos). Diga-se de passagem, o panda é muito legal! E mais legal ainda foi uma criança chinesa chamando o panda... Aqui, até as crianças falam mandarim (risos), e porquanto ele gritava XIONGMAAAAAAAAOOOOO! Hahaha, era muito engraçado...

Dentro do zoo tem um aquário muito grande e, por mais que estranhássemos a entrada ser cara (RMB120), resolvemos entrar. Só depois de terminarmos o pequeno tour é que descobrimos que havia um show com focas e golfinhos. Pegamos apenas os últimos 5 minutos do show, que foram de arrepiar! Mas então, quando você vier pra cá, lembre-se que tem este show e pode ser divertido! Ele ocorre às 10h30, 14h e 16h30!

E aí chegou ao fim nosso passeio por Beijing. Resolvemos passar no mercado e compramos muita coisa “ocidental” para fazer um café de verdade desta vez, ao invés de sair pra jantar... Pão, queijo, manteiga, leite, nescafé e até uma traquinas chinesa entrou na conta! E compramos laranjas também, mas eles não têm faca no hotel (!!!!) e as laranjas nos olham com um olhar triste agora!

Aliás, por falar em frutas... As frutas chinesas são incrivelmente gostosas (em sua maioria)! Maçãs e bananas, ao menos, têm um gosto muito bom, e são baratas também!

E chega! Sem muitas histórias, hoje estou ainda mais gripado (baixa imunidade + frio + poluição não são uma boa combinação) e estamos só sapeando... Nosso trem para Xi’an parte à noite, e chegamos amanhã na cidade do exército de Terracota! A expectativa está boa! Abraços, e ponto!

PS.: Ah, se quiser ver algumas fotos, veja meu álbum público no Facebook: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.443491685667613.122384.100000203571156&type=3