quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um panorama socio-econômico de China versus Brasil

Algumas semanas depois do meu retorno, percebo que estou em um ritmo ainda alterado. Não dá pra dizer, ao certo, por quanto tempo isso irá perdurar - tampouco se é definitivo, mas é fato que a viagem para a China realmente mexeu com meus valores e pensamentos. Voltei diferente, em muitos aspectos, mas estas diferenças reservarei para mim mesmo e para os amigos mais próximos - que me perdoem os mais distantes...

Retorno a este blog, hoje, para me despedir e para tentar repassar um pouco do "baque" que eu tive nestas três semanas em que estive em solo oriental. Apesar de inevitável, peço que se esforcem ao máximo para não encarar este texto como uma lição de moral. A forma certa seria, meramente, uma visão de mundo diferente.

É que, se pararmos mesmo para olhar bem de perto, é quase impossível acreditar que China e Brasil pertencem ao mesmo planeta! Aliás, cheguemos mais perto: ao mesmo grupo econômico! "BRICs"... É preciso conhecer a China para ver que colocar o nosso país na mesma divisão econômica que ela é uma grande piada - e de muito mau gosto - que algum comediante desses de stand up fez e o resto do mundo ocidental levou a sério. Meramente comparar os dois países chega a ser um absurdo, pra ser bem sincero...

Que não se engane o leitor: eu sou brasileiro e não troco este país por nada! Mas aqui a gente acha graça do nosso amigo que roubava doce na loja, ou do outro que dirige bêbado, do que se exalta com futebol, quebrando nossos ônibus e destruindo nossas praças, e dá de ombros para a corrupção e a ladroagem que está impregnada em nosso dia a dia. Corrupção, no Brasil, nem soa mais esquisito. Já se ouve falar tanto dela que desviar dinheiro é algo meramente esperado - a gente vota esperando que roubem menos, e não que não roubem... Olhando assim, - puxa! - que moral temos para falar de outros países!

Mesmo assim, basta colocar os pés - ou melhor - as rodas do avião na China para ver que se trata de um país muito diferente. Ficamos 10 minutos (dez minutos!!) taxiando na pista de um dos aeroportos internacionais de Shanghai (sim, tem dois internacionais) até chegar em um finger - sim, haviam fingers suficientes. Mais tarde, descobriríamos que o aeroporto de Pudong tem, somente em um terminal de embarque, mais de 400 guichês de check-in. Veja bem: é apenas um dos terminais de um dos aeroportos da cidade! Os chineses dão um tapa na cara de nós no quesito infraestrutura aeroportuária...

E nos outros quesitos também. Parece que os problemas simplesmente são resolvidos. O aeroporto ficou longe da cidade? Eles resolveram construir um dos mais eficientes metrôs do mundo, capaz de fazer o aeroporto - centro de Shanghai em menos de 1 hora. São cerca de 40km de carro! Aliás, todas as principais cidades têm mais de 10 linhas de metrô, e as obras de ampliação são constantes. Aqui em Curitiba, serão gastos R$2bi em um metrô que vai ligar nada a coisa nenhuma daqui a uns 10 anos... Lá, as linhas surgem a cada 6 meses.

Mas por falar em desafio, que tal um metrô embaixo do mar? Ou dentro de uma ilha? O metrô de Hong Kong é um dos mais belos e limpos que já vi, e está lá, passando por dentro do mar... Aqui é difícil até fazer um barquinho passar por cima da água sem gerar algum transtorno. Se isso fosse no Brasil, aliás, consigo até imaginar o bate-papo que rolaria: o projeto custaria 500 vezes mais, deixaria muitos milionários, receberia o nome do governador do estado, e não atenderia um décimo do que ele poderia...

Culturalmente eles também nos dão um banho... Você acha que eles trabalham muito? Pois eu nunca vi um povo tão ligado à família... Em todos os pequenos negócios via-se a família inteira trabalhando: pai, mãe e filhos. Fosse uma lojinha, ou mesmo um pano com artigos aleatórios sendo vendidos no meio da rua, estava lá a esposa e o marido, lado a lado, montando a lojinha!

Julgamos a China de acordo com a nossa cultura, e isso está completamente errado! Temos a ideia de que eles são emergentes porque, afinal, o dinheiro deles não vale nada perante o resto do mundo. Mas dentro da China eles são muito felizes: comem bem, viajam muito, consomem muitos eletrônicos e todo o resto que é necessário pra eles!

Não é correto, portanto, compararmos a cultura deles com a nossa e acharmos que eles precisam evoluir para se tornarem um país de primeiro mundo. Honestamente? Eles estão muito à frente do resto do mundo. A impressão que dá, por mais "teoria da conspiração" que isso seja, é que o mundo tenta frear o crescimento e o valor que a China já tem através de uma falsa propaganda de que o país "está indo bem mas precisa melhorar"...

Tudo, tudo na China impressiona. As coisas funcionam, acontecem... Centenas de fábricas desenvolvendo tecnologia. Não é verdade que eles falsificam tudo... Eles são muito inteligentes, e possuem mesmo muita tecnologia! Investem horrores em pesquisa, em estudo, em capacitação, e tudo isso pode ser visto a todo momento por lá. E que não se enganem os espertinhos: a China não quer se tornar a fábrica do mundo. É o resto do mundo que está colocando a China neste lugar!

E é isso, simplesmente isso... Não existem palavras que possam definir a realidade lá do outro lado do mundo. É preciso estar lá para entender realmente o que se passa, o que é e o que não é... E eu não sei, honestamente, porque é que você, que está lendo este blog, ainda não planejou a sua viagem! Um forte abraço, até a próxima, e ponto final!

sábado, 28 de abril de 2012

Hong Kong: a Florianópolis asiática

É uma situação um pouco confusa (pelo menos era pra mim), mas ao chegar em Hong Kong logo se percebe com clareza que isso aqui é um país completamente diferente. Diga-se de passagem, um país formidavelmente diferente!

Levamos quase 12 horas para efetivamente viajar... Por mais que o voo levasse apenas 3 horas (levou 4 devido ao mau tempo em Hong Kong), entre sair do hotel em Xi'an e chegar no hotel em Hong Kong o caminho foi muito longo! Imigração aqui, emigração lá, e uma confusão no taxi que nos fez ir para o Holiday Inn errado até! O problema é que, em Hong Kong, não se fala nem mandarim, se fala cantonês. Ou seja, já pelo idioma começaram as complicações!

Mas, vencidas as dificuldades iniciais, vamos falar das coisas boas... Logo de cara, na verdade, vindo do aeroporto, notamos que não era uma cidade-país qualquer... Os túneis no caminho brilhavam de limpeza e cuidado, todos pintados de branco e muito bem iluminados e sinalizados. Chovia muito, mas era possível ver que até os guindastes do porto eram iluminados, simplesmente para dar um ar de luz para a cidade. O pessoal que reclama da construção de Belo Monte devia vir até aqui ver o que é realmente um país precisar de energia. Saímos agora à noite para dar uma volta a pé, para vocês terem uma ideia, e parecia de dia! No meio de uma rua muito semelhante à rua XV, era possível enxergar claramente. Em alguns pontos, a luz até ofusca a visão!

E, apesar da chuva ontem (que quase não nos deixou pousar), hoje o dia só amanheceu nublado. Com isso, fomos até o Peak Tram, um bondinho pra lá de simpático aqui - e tradicional também, opera desde 1888 - que nos leva ao pico de um morro de pouco mais de 500m de altura. De lá, ainda dá pra subir em um terraço e chegar ao ponto mais alto de Hong Kong. Nós, alegremente, subimos no terraço no momento em que estava tudo entubado (dentro da nuvem). Ou seja, não vimos nada! E assim que descemos, abriu! Mas tudo bem, conseguimos ver tudo muito bem alguns metros abaixo e nos deliciamos com aquela vista espetacular...

Aqui é muito mais ocidental, na verdade. Hoje, por exemplo, almoçamos Burguer King, tomamos café no McCafé e jantamos num local muito bacana chamado "The Spaggethi House". A caixa do supermercado falou inglês conosco, tal como todas as atendentes das lojas e todo o resto do povo. Então você acaba ficando mais à vontade...

E o dinheiro é esbanjado aqui com muito gosto. A toda hora tem um Porsche ou Lamborghini à vista e, à exceção dos taxis que são feios de doer, só tem carro grande na rua. Se todo mundo tem dinheiro nunca saberemos, mas que todo mundo faz questão de dizer que tem, isso faz!

E o clima é super tropical. É a primeira vez, na China, que eu vejo muitas chinesas de shorts e roupas leves, e os chineses de bermuda. Aliás, ok, não são chineses, mas você entendeu! As sorveterias e cafés aqui são muito movimentados, e todo esse clima perto do mar - que é fenomenal - faz mesmo lembrar Floripa! Hong Kong, então, é como uma floripa aqui na Ásia! E se a Floripa original já é mágica, imagine esta aqui! Abraços, e ponto.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O exército de Terracota e a noite em Xi'an

Apesar da poluição não ser ausente aqui, Xi’an é uma cidade bem menor e, por isso, a poluição também. São “somente” 4,5 milhões de habitantes por aqui, o que dá um ar bastante despreocupado e de interior à cidade. Interior da China, é claro.

E foi nesse ar de cidade do interior caótico que caminhamos até a ferroviária de Xi’an, em busca do ônibus 306. O destino foi o museu do exército de Terracota, aqueles homenzinhos esculpidos em barro que visavam proteger o imperador morto (coisa de Chinês). E o negócio é mesmo impressionante... São trocentos mil soldados e, até agora, nenhum igual foi encontrado! Isso significa que, mesmo que a produção tenha sido feita em série, eles foram feitos um a um. E são perfeitos em tamanho, proporção e expressão... Arqueiros, cavaleiros (cavalos inclusive), infantaria, tudo é muito preciso...

Mas aqui uma “descoberta”... Sabia que eles estão todos despedaçados? Quem acha que eles foram encontrados enfileiradinhos está redondamente enganado! Eles estão todos despedaçados... A cena das escavações, na verdade, parece um pós-terremoto: pedaços de corpos meio enterrados, com expressão humana, e que vão sendo juntados e expostos pelos chineses que trabalham ali... É mesmo incrível como pode alguém fazer aquilo!

E, passado o auge da cidade, resolvemos matar tempo por aí... Descobrimos que Xi’an é algum tipo de polo de atacado (de tudo). Sapatos, roupas e bugigangas, aqui são shoppings e mais shoppings enormes, com muitas lojas de muitas coisas. Sério, são milhares de lojas, e milhares de caixa indo e vindo a todo instante... É algo desesperador. Caminhamos por mais de um km com muito trânsito de mercadorias por todos os lados... Meu pai não parava de filmar tudo, era realmente alucinante...

À noite, devido à nossa experiência da janta de ontem, sugeri que fôssemos ao centro da cidade comer na Pizza Hut. Pegamos um táxi e fomos... E o visual noturno da cidade nos deixou boquiabertos... Os muros eram todos iluminados, com cada torre de vigia completamente iluminada. Dentro da cidade, os monumentos também iluminados davam ao lugar um ar mágico. Aliás, toda a noite aqui é iluminada... Os prédios sempre têm uma iluminação diferente. Jogo de luzes, estáticas ou dinâmicas até, transformam a noite das cidades chinesas e algo alucinante! É preciso, mesmo, conhecer as cidades em dois períodos: de dia e de noite!

E agora estamos matando tempo... Hoje é um dia de trânsito para o nosso último destino turístico: Hong Kong. Aqui, novamente muita expectativa sobre o que nos aguarda... E vamos que vamos! Abraços, e ponto.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Xi'an: a aventura continua (e aumenta!)

A ferroviária de Beijing poderia ser comparada à rodoviária de Curitiba, guardadas as devidas proporções. Mas não é por mal ou descuido: como não é um lugar considerado muito turístico, eles tratam da forma como está legal para eles. E, infelizmente, nós temos um conceito de higiene diferente do deles!

Mas antes de ir para a ferroviária a aventura já havia começado. Chovia muito em Pequim e, quando resolvemos sair do hotel (às 14h) para ir até a ferroviária, nos deparamos com uma situação ingrata: não tinha taxi! O trânsito da cidade estava um caos, e os táxis estavam todos ocupados... Esperamos quase uma hora, e levamos mais quase outra hora pra chegar na ferroviária – que ficava a 20km de onde estávamos! Mas, enfim, chegamos!

Após uma pequena aventura para imprimir os tickets do trem, fomos lá aguardar o horário... Resolvemos jantar por ali mesmo, e foi a primeira vez que comi espagueti com os tais “palitinhos”... No começo foi difícil pra caramba, mas depois foi só alegria (risos)...

Nosso trem para Xi’an era destes noturnos, e levou pouco mais de 11 horas para chegar até a cidade. Como optamos por uma cabine “hard sleeper”, tivemos um certo conforto na viagem, na qual dormimos praticamente todo o tempo...

E chegamos! Xi’an é uma cidade pequena, “do interior”. Tem apenas 4,5mi de habitantes, e isso dificulta muito as coisas para os ocidentais. A cada passo que demos na cidade, descobrimos isso. Mas faz parte da aventura – e o exército de Terracota há de compensar o esforço! Além disso, é uma cidade bem mais limpa do que Pequim (o ar, no caso, é mais limpo). O céu hoje estava aberto, estava quase azul!!!

Assim que chegamos, meu mandarim foi testado. Os vouchers dos hotéis (se você planeja vir pra China, tome isso como lição e dica!) estão todos em português – ou melhor, meio português e meio inglês, mas ninguém aqui lê esses textos... E como os nomes dos hotéis em inglês não são os mesmos que em chinês, ferrou tudo! Pra completar, meu celular estava sem crédito! Arrisquei então “traduzir” o endereço que li para mandarim, e não é que chegamos no hotel?! Não sei se ficamos mais felizes nós ou o motorista do taxi, mas sei que todo mundo vibrou! (risos)

E chegamos no hotel, onde ninguém falava inglês! Nosso checkin foi a coisa mais engraçada que eu já vi... Todo mundo aqui sabe falar “hello”, mas o inglês acaba por aí! E o das meninas do hotel não era diferente... Agora, imagine: com um inglês limitadíssimo e um voucher em português nas mãos, as meninas estavam simplesmente doidas! (risos)

Mas, vencidas as dificuldades, finalmente chegamos no quarto. Uma coisa muito legal aqui, pelo menos até agora, é que os quartos “duplos” aqui têm duas camas de casal! Não é como no Brasil, duas camas de solteiro que você mal cabe dentro (sempre tenho este problema...). Aqui, as camas são sempre grandes! É muito bacana!

Bom, banho tomado e fomos fazer um passeio diferente. Alugamos duas bicicletas por RMB40 cada e demos a volta por cima dos antigos muros da cidade. Isso foi muito bacana! É um pedal de 14km, praticamente plano, de onde é possível ver algumas coisas da cidade... Na verdade, não é um pedal onde você consiga ver muito longe... Mas os muros são muito largos, havia uma música chinesa tocando num volume ideal e o passeio foi algo muito divertido... Parecíamos crianças pedalando pra lá e pra cá.

E aí o passeio por Xi’an continuou... Há uma rua de muçulmanos aqui em que as culturas se misturam e o resultado é assustador (mesmo, e no mau sentido!): sai cada comida que não dá nem coragem de olhar!! Mas é legal mesmo assim, meu pai filmou muito! (risos) Depois ainda saí para uma corrida, que foi bem judiada pelo trânsito caótico e pelo ar seco. Mas fui!

E agora à noite aconteceu a máxima do dia... Saímos para jantar mas, como é uma cidade “interiorana”, não tem muita coisa voltada aos ocidentais por aqui... Eu sugeri, então, que comêssemos no hotel, mas meu pai insistiu que o restaurante do lado devia ter algo bom! Assim que entramos, duas pessoas vieram nos atender. “Hello” foi tudo o que elas sabiam falar... Então começou a juntar muita gente enquanto foleávamos o cardápio e, com a ajuda de um dicionário que tenho no meu telefone, fomos encontrando as palavras e perguntando se tinha isso e aquilo. Sei que, quando vimos, sete pessoas rodeavam nossa mesa na expectativa do que falaríamos! Foi muito engraçado, e muito cômico também! O resultado? Bem, eu comi uma carne de boi que eu não tenho a menor ideia de como era, porque era gelada (parecia defumada?!), e arroz branco. Meu pai com uma sopa de espagueti (ah, sim, espagueti aqui é sempre ensopado hehe), e se matou pra comer com os palitinhos (não tinha garfo! risos). E era um restaurante super bom... Isso, portanto, não é conversa fiada: quer vir pra China, aprenda a comer com os ditos palitinhos! Ou morra tentando (risos)...

E chega de texto! Amanhã vamos ver o exército de Terracota. Dizem que são milhares de soldados e nenhum deles é igual! Só acredito vendo (um a um). Abraços, e ponto.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

[Sobre a China] País das bicicletas? É, algo neste sentido...

Os ciclistas ativistas sempre dão um jeito de jogar a China como exemplo de saúde, que usa muita bicicleta pra se locomover e etc... Bem, a notícia triste é que as bicicletas aqui são, em sua maioria, elétricas! Pouquíssima gente pedala efetivamente por aqui... A ideia do motor elétrico é tão forte que eles tem muita scooter elétrica também, é muito usada!

E as bicicletas, infelizmente, não refrescam quase nada da poluição das cidades, que parece já fazer parte da paisagem (não vemos sol desde que chegamos aqui). Então, talvez seja prudente não falar mais na China como o país das bicicletas: a China é o país das motos elétricas!

[Sobre a China] Os chineses e o "inglês"

Que me seja isentada a culpa da prepotência, mas quem acha que vai ser feliz na China falando inglês tupiniquim ficará redondamente frustrado! Aqui, apenas os jovens falam inglês (e olhe lá!), salvo raras exceções, e quando você solta a primeira palavra em mandarim eles realmente acham que você manja e despejam tudo o que conseguem falar em mandarim em um intervalo curto de tempo! E você não entende nada! risos

Mas, falando rapidamente do inglês... É incrível como eles cometem erros grotescos em ambientes grandes. Nem nos bancos as mensagens estão em um bom inglês. Numa placa de um restaurante bom, estava escrito Juise (para suco). E eles parecem não estar nem aí para isso... É como o Alexandre falou: não é ingles, é "chinglish". Desta forma, com a convivência, estou mais ou menos assim: meu português está indo pro buraco (esses dias eu disse pro meu pai "lembra que amanhã fomos lá?"). Meu inglês está virando chinês. E meu chinês está virando algo diferente de tudo o que eu já falei! risos... Mas vamo que vamo!

Beijing, a cidade proibida e o zoo

Algo muito curioso sobre os chineses é que eles são muito, mas muito malandros. Mas não são aqueles malandros que querem te ferrar: eles só querem ganhar um pouquinho em cima de você, turista, que chega aqui ingênuo e cheio de dinheiro. Por isso, é necessário tomar muito cuidado com tudo o que acontece à sua volta.

Em geral, se alguém para pra te ajudar espontaneamente, este alguém quer algo. Normalmente, é te levar pra tomar um chá e aplicar um golpe... Mas sabe qual o golpe? Eles te levam em um lugar super caro e é você quem paga a conta. Não te roubam, não te batem, e nem fazem nada à força. É super estranho (chega a ser tosco!)...

E é bem por isso que a gente acaba se acostumando a ser, digamos, um pouco menos polido aqui. Não dar bola pra ninguém na rua, furar a fila e segurar “à força” alguém que queira furar (isso é bem engraçado; por duas vezes veio algum chinês querendo furar a fila e eu simplesmente entrei na frente do cara; eles se entreolham como quem diz “opa, o cara não vai deixar a gente furar, deixa pra lá”). E a única esperança nossa é que não levemos isso para o Brasil (risos)...

E nesse empurra-empurra, resolvemos passear um pouco de metrô. Aqui em Beijing, o metrô é muito eficiente, e custa apenas RMB2, o que equivale a menos de R$0,50... É ridículo de barato e muito fácil se locomover. E na verdade os táxis também são (na China inteira custa, em média, RMB2 por km, o que também dá menos de R$0,5/km). Mas entre pagar RMB30 e pagar RMB4 para irmos até qualquer ponto turístico, sejamos espertinhos, vá (risos)...

E fomos, então, finalmente, à cidade proibida de verdade. Meu Deus, pensa em algo muito grande! Ali seria o “palácio” do imperador, e mais onde todos moravam... É imenso, com muitos quartos, muitos cômodos e, certamente, muitas histórias... Reza a lenda que o imperador aqui tinha mais de 3000 esposas (haja viagra!!), e todas elas morando por ali... Não é fácil não!

Aqui optamos por ir sem guia, e por RMB40 eu aluguei um guia automático. À medida em que entrávamos pelas portas da cidade, o guia nos mostrava onde estávamos e contava toda a história do local. Amantes, crianças, ciúmes... A impressão que temos é que juntar 3000 mulheres não é muito fácil mesmo! As histórias sempre envolvem assassinato ou alguma maldição (risos)...

Bem, a cidade também é algo indescritível, apesar de termos ficado mais impressionados com a muralha (que dúvida!)... E saímos da muralha em direção ao Jingshan Park, um parque que possui uma pequena montanha onde é possível ver toda a cidade proibida. Ou talvez fosse possível, na época em que a poluição ainda não tinha tomado conta do ar. Ainda assim, as escadarias valem a vista!

E resolvemos almoçar. Paramos em um restaurante chinês, destes de comer na calçada, e resolvemos encarar. O cardápio estava em inglês, o que nos ajudou, e novamente uma jovem nos ajudou com o pedido. Isso sim é muito legal. Tem sempre os golpistas de rua, mas os consumidores que falam inglês e estão no mesmo lugar que você estão sempre dispostos a ajudar... Talvez seja algo a ser seguido, porque a sensação de alguém vir falar inglês e te ajudar a fazer um pedido no restaurante é uma sensação de alívio muito boa! E, enfim, meu pai foi super bem com os kaui zi e a diversão foi garantida!

E daí fomos ao Zoo! Haha, aqui, no caminho, novamente fomos abordados por três mulheres que tentaram nos levar para o chá. De qualquer forma, elas nos ajudaram com o metrô, foram legais e nem insistiram no chá (entende? Eles são malandros bonzinhos!).  E no zoo viramos crianças em frente ao panda, ao leão, ao tigre e por aí vai! (risos). Diga-se de passagem, o panda é muito legal! E mais legal ainda foi uma criança chinesa chamando o panda... Aqui, até as crianças falam mandarim (risos), e porquanto ele gritava XIONGMAAAAAAAAOOOOO! Hahaha, era muito engraçado...

Dentro do zoo tem um aquário muito grande e, por mais que estranhássemos a entrada ser cara (RMB120), resolvemos entrar. Só depois de terminarmos o pequeno tour é que descobrimos que havia um show com focas e golfinhos. Pegamos apenas os últimos 5 minutos do show, que foram de arrepiar! Mas então, quando você vier pra cá, lembre-se que tem este show e pode ser divertido! Ele ocorre às 10h30, 14h e 16h30!

E aí chegou ao fim nosso passeio por Beijing. Resolvemos passar no mercado e compramos muita coisa “ocidental” para fazer um café de verdade desta vez, ao invés de sair pra jantar... Pão, queijo, manteiga, leite, nescafé e até uma traquinas chinesa entrou na conta! E compramos laranjas também, mas eles não têm faca no hotel (!!!!) e as laranjas nos olham com um olhar triste agora!

Aliás, por falar em frutas... As frutas chinesas são incrivelmente gostosas (em sua maioria)! Maçãs e bananas, ao menos, têm um gosto muito bom, e são baratas também!

E chega! Sem muitas histórias, hoje estou ainda mais gripado (baixa imunidade + frio + poluição não são uma boa combinação) e estamos só sapeando... Nosso trem para Xi’an parte à noite, e chegamos amanhã na cidade do exército de Terracota! A expectativa está boa! Abraços, e ponto!

PS.: Ah, se quiser ver algumas fotos, veja meu álbum público no Facebook: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.443491685667613.122384.100000203571156&type=3

A Muralha da China e o turismo chinês

A cada degrau que eu subia, meu pensamento se dividia. Metade pensava “meu Deus, olha aonde viemos parar!” e a outra metade pensava “é sério que tem algum idiota que resolveu fazer uma maratona passando por aqui, com todos estes degraus?!”. E o incrível é que, não importasse quão rápido ou devagar eu subisse, a cada passo eu conseguia me fazer estas duas perguntas. Dava tempo! Mas, enfim, ganhou a primeira sensação: meu Deus, olha aonde viemos parar!

A muralha é algo indescritível, será ridículo tentar descrevê-la – e as fotos jamais conseguirão também, já que a névoa de poluição continua predominante lá. Mas me darei ao luxo de ser ridículo, como por tantas vezes somos durante a nossa vida afinal...

Logo que descemos da van meus olhos não queriam mais piscar. Estávamos nos pés de uma das montanhas mais altas da muralha, que agora me falha o nome mas depois hei de registrar aqui, e em toda a nossa volta víamos pedaços da muralha. A muralha é um muro gigante que fica exatamente em cima das montanhas pelas quais ela passa. Ou seja, em sua grande maioria são degraus, ou rampas. Não há parte plana, como aqueles muros de cidade que vemos nos filmes...

A cada tanto existem postos de vigia, nos quais é possível subir e ganhar 4m de altura para vislumbrar um pouco melhor tudo ao redor. Mas legal, mesmo, é continuar subindo, subindo, subindo...

A construção impressiona não só pelo tamanho, mas pela robustez. O muro deve ter cerca de 5m de altura, e uns 4m dele são sólidos (piso), com os degraus feito de pedra que está, aos poucos, se desgastando. E é muita, muita gente...

Aqui tenho uma observação medonha (pela ingenuidade dela), mas enfim... Algo que me impressionou muito foi a quantidade de chineses lá na muralha, fazendo turismo como nós. É estranho porque, quando pensamos em outro país, e pensamos que este país tem algo tão especial, de certa forma parece que imaginamos que todos os habitantes daquele país já passaram por lá, certo?! Pelo menos minha cabeça pensa isso de forma automática... Porém, pensar isso é o mesmo que pensar que todo brasileiro já visitou o Cristo Redentor e adora jogar futebol. É claro que não é assim!

Assim sendo, lá estávamos em meio a muitos, muitos chineses! É muito difícil subir os primeiros estágios da muralha, é muita gente em trânsito, muitos velhinhos subindo degrau a degrau, é incrível. Mas à medida que você sobe, a quantidade de pessoas que segue vai diminuindo... Chegamos bem alto antes de meu pai parar, e eu continuei até o topo – que estava pertinho, na verdade... Ela não é muito alta: tem cerca de 400m de desnível entre o pé da montanha e o topo... Como os degraus são altos (cerca de 25cm cada um, a maioria), 400m / 25cm dá... é, muito degrau!! Pernas, pra quê te quero!

Enfim... Como eu falei, não é possível descrever a muralha, e as fotos – quando eu postá-las – não serão nada diferentes do que a gente já vê por aí procurando por “great wall” no Google. Acho que este é um daqueles lugares em que é preciso estar lá, respirar o ar de lá, para entender a magnitude dele... Quer dizer, como é que uma pessoa tem poder suficiente para construir um muro assim, de centenas de milhares de quilômetros?!

É esse pensamento, essa pergunta, que acabou despertando um interesse enorme em nós pela história da China. Aliás, não um interesse... Uma admiração ou algo assim. Isso nos impressionou muito... Ok, a Europa é cheia de historinhas de reis. Mas o imperador aqui tinha 3000 mulheres, e quando ele morria ele levava 30 com ele! Sério, olha o poder do homem!!!

Bom, como eu falei... Descrever a muralha faz ela parecer o muro do quintal da nossa avó. Tentarei postar as fotos em breve, mas no meu caderninho de “100 coisas pra fazer antes de morrer”, esse já foi (e valeu muito a pena)!! Abraços, e ponto.

sábado, 21 de abril de 2012

Esqueci!!!

Ainda esqueci de uma coisa muito importante de ser registrada!!! Hoje estabeleci meu primeiro (e segundo e terceiro) diálogo em que entendi TUDO! Ou seja, perguntei e entendi a resposta com exatidão!

Vou transcreve-los aqui:

Eu (de manhã): You kafei ma?
Ela: You!

!!!!!!!!!!

Eu (no táxi): Women zai nar?
Ele: Zai nar! (apontando no mapa)

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Eu (na mercearia): You kafei ma?
Ela: You!

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Bom, hein?! Meu mandarim está ótimo! Ah, inclusive comprei um dicionário hoje, da Oxford (inglês-mandarim), por RMB20. Isso equivale a menos de R$5,00! Segura essa! Abraços, e ponto.

Um pouco mais!

Ih, esqueci de falar um monte de coisas, então aqui vão alguns pensamentos soltos...

Hoje, enquanto pensávamos estar na cidade proibida (nas duas vezes), tiramos fotos e filmamos feito dois turistas mesmo! “Estamos aqui na cidade proibida!” foi o que meu pai mais falou no vídeo. Isso só tornou tudo aquilo mais trágico! (risos)

Aqui não existe ladrão, mas existe muito malandro. Só que a malandragem deles é “engraçadinha”... Quando eles dão um golpe, é um golpe tipo te cobrar mais do que deviam. Em vez de você pagar R$10 por algo você paga R$15. Não é como aqueles golpes do Brasil... Eles ainda não fazem isso como nós fazemos (risos)...

As mulheres aqui (sim, novamente vou falar das mulheres!!!), pelo que pude observar até agora, são de dois tipos: ou são inocentes ou são muito agressivas. Agressivas no sentido de “mulherão”, bem resolvida... E você nota isso pela atitude de andar, de falar e de se vestir... É muito interessante...

Por falar em se vestir, algo muito interessante sobre a China é que é muito difícil identificar se alguma região é mais rica ou mais pobre... O contraste mora lado a lado, e a sujeira reina. Nada aqui é muito limpinho: prédios, vidros, dentes... Tudo é encardido e eles não parecem se importar muito (principalmente os homens). As roupas também são muito comuns, todas “padrão”, nada de ostentar nada... Porém, mesmo em um prédio encardido, os carros estacionados embaixo são Audi, BMW e por aí vai...

Hoje na Pizza Hut uma garotinha de 11 anos, pra lá de extrovertida, veio nos ajudar a pedir a comida! Ela estava na mesa do lado e achou que devia nos ajudar, e veio! Incrível... O inglês dela era excelente, e ela era muito, muito doce! Conversamos muito, ela nos falou muita coisa sobre Pequim, disse que o parque de diversões era imperdível (risos) e, por fim, trocamos e-mail. Ficamos mesmo impressionados com ela, que já tinha até nome em inglês (Marry). Agora a parte trágica: sem Facebook, sem blog, sem picasa... Nada disso é acessível por aqui. Resta o e-mail mesmo, que provavelmente vai se perder antes de eu chegar no Brasil! (risos)

E é isso. Por hoje é só, amanhã tem mais! Abraços, e ponto.

Beijing: 13 horas de sono e algumas presepadas

Já era hora de fazermos alguma presepada digna de ser contada. E hoje conseguimos! Estamos há dois dias em Pequim e hoje nos perdemos feito dois turistas brasileiros na China mesmo! Mas antes de contar sobre o dia de hoje, vou fazer alguns comentários a respeito das sensações e impressões que estou tendo do país...

É impressionante como tudo na China é grande. Eu sei que o assunto é repetitivo, mas é mesmo impressionante... Tudo aqui é “muito”. Existem shoppings com dois andares de lojas que vendem apenas óculos (de sol, de grau e de nada, porque aqui é moda usar um óculos sem lente). Entramos ontem em um shopping de móveis aqui em Pequim, e eram 6 andares de lojas, cada andar com talvez 10 ou 12 lojas diferentes (de fábricas diferentes). E isso era “um” shopping.

E é engraçado porque, mesmo que eles sejam burocráticos, eles são muito ágeis. No aeroporto, por exemplo, para entrar na sala de embarque eles conferem a identificação de todo mundo, confrontando com a passagem aérea e com a sua imagem (foto versus rosto). Porém, para fazer isso, eles juntam muita gente! Em Guangzhou, que era um aeroporto pequeno (para os padrões da China, naturalmente), tinham nada menos do que 20 guichês para entrar na sala de embarque, e em cada um deles trabalhavam 6 chineses. Você consegue imaginar isso? São 120 chineses somente para conferir a entrada na sala de embarque do aeroporto! No Afonso Pena são... 6 brasileiros? 9 em dias de pico?

Mas enfim, chegamos em Pequim e começaram as presepadas... Do aeroporto resolvemos vir de taxi. Foi a primeira vez que estávamos sem o Alexandre, nosso cicerone (risos), e por isso era comigo e com o meu pai o assunto agora. Pois bem, entramos no taxi e mostramos o voucher do hotel... Não adiantou nada: os chineses (principalmente os mais velhos) não sabem ler nosso alfabeto. Por isso, quando você vier pra China, trate de trazer o nome e o endereço dos lugares em mandarim mesmo (ideogramas). Precisei ligar para o hotel e pedir instruções (bendita ideia de quem me fez comprar um chip de celular em Shanghai)!

Bem, chegamos no hotel e, para nossa surpresa, é um Aparthotel. Dois cômodos, sofás, TV enorme na sala, internet, geladeira, fogão e... máquina de lavar roupas!!!! O único problema está saber usar uma máquina com tudo escrito em mandarim, mas já conseguimos lavar uma maquinada (só não conseguimos enxaguar direito, mas ligamos novamente o ciclo sem colocar sabão e tudo correu bem!).

A viagem pra cá foi bem demorada, atrasou mais de uma hora no aeroporto (chovia muito) e o resultado foi que chegamos no hotel somente às 14h – sem comer nada desde as 7h (o café no avião foi muito chinês!!!). Saímos famintos daqui, e a Pizza Hut nos salvou a vida! Só que voltamos pra casa e capotamos. Ainda não eram 18h quando eu capotei no sofá, e resolvi que nem iria comer mais nada, nem fazer mais nada... Fui pra cama: se acordasse cedo, ainda ligaria pro pessoal na GHN pra saber como estavam as coisas e se havia algo em que eu pudesse ser útil... Mas quem disse que acordei?! Eram 9h quando abri os olhos... Foram 13 horas de sono sem o menor peso na consciência. E meu pai – fui saber depois – também não ficou muito atrás! Ufa, recuperamos o sono!!

E daí resolvemos fazer um turismo por aqui mesmo hoje... O destino: a cidade proibida! Aqui começa a presepada...

Pegamos um taxi e fomos direto ao Tian’anmen, porque eu não sabia falar cidade proibida em chinês – e o Tian’anmen fica logo em frente! E lá paramos, e assim que descemos do taxi vimos uma multidão enorme. Sério, era muita gente... Tipo umas 50 mil pessoas, pelo menos... Elas formavam uma fila enorme, e concluímos que era a fila pra entrar na cidade proibida! Na verdade, somos bons curitibanos e não resistimos a uma fila mesmo... E começamos a seguir a fila pra chegar à entrada dela...

Quando chegamos, um dos responsáveis por organizar a fila nos disse que não poderíamos entrar com a bolsa da câmera nem com a câmera! Como ele viu que éramos estrangeiros, ele foi muito “simpático” e nos levou até o guarda volumes. Deixamos lá a câmera e ele nos disse que estávamos bem, porque não precisaríamos ficar na fila. Com um pouco de receio aceitamos, pois ele realmente era da organização do local... Então chegamos bem perto da entrada e ele nos disse que estava fazendo aquilo por dinheiro... Demos muita risada ao perceber que, na realidade, aquele cara (que realmente trabalhava no local) estava corrompendo a própria organização. Nós pagamos ele e ele nos mandou entrar na fila, sem explicação nenhuma... Simplesmente furar a fila! Haviam muitos chineses cuidando da fila, e todos fizeram vista grossa... Devemos ter pulado umas 40 mil pessoas (risos) e, apesar do peso na consciência, vimos isso acontecer muitas vezes depois. Isso nos rendeu mais algumas risadas...

Mas seguimos a fila e, ao passar por um novo check de segurança, vimos umas pessoas comprando flores. Poucos minutos depois tivemos a certeza (meu pai já desconfiava): que cidade proibida, que nada! Estávamos na tumba do Mao Zedong!!

Bem, havíamos perdido uma hora mas não foi exatamente uma perda. É incrível, na realidade, ver como ele exerce uma força aqui nos chineses... Era muita, muita gente, na fila para simplesmente passar e, eventualmente, deixar uma flor, para aquela figura... Ele foi muito mais do que um maluco que ergueu a China: ele foi um líder carismático com muita força por aqui. Ficamos mesmo impressionados...

E saímos da tumba, por trás da tumba, e demos de cara com uma construção que parecia mesmo o Tian’anmen! Atravessamos a rua e, logo depois dele, havia um portal menor, muito chinês, e uma rua enorme (mesmo!) cheia de lojas! Não sei qual foi o lapso aqui, mas novamente fizemos errado. Desta vez, gastamos praticamente o dia todo nesta rua, imaginando que isso era a cidade proibida. Sério, não sei qual foi o lapso, mas sei que compramos muito (muuuiito) e só desconfiamos que não estávamos na cidade proibida lá pelas 15h.

Olhando de fora (e escrevendo agora) é ridículo, na verdade! Conhecemos a tal da cidade por fotos, já ouvimos falar, e etc, e etc, e etc... Mas na hora pareceu muito correto, nem nos ligamos! (risos) Como já estava tarde, e temos muito tempo aqui em Pequim (só partimos na terça-feira), resolvemos voltar outro dia com calma e conhecer a cidade proibida e os parques ao redor...

E hoje voltamos cedo pra casa para descansar... Amanhã às 7h partimos para a Muralha. Acho que será um dos pontos altos da viagem (literalmente, inclusive)! Abraços, e ponto.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Guangzhou e a Canton Fair

Acordamos com dificuldade às 8h da manhã do dia seguinte. A viagem foi bastante cansativa devido aos atrasos dos voos, e acabamos indo dormir às 2h da manhã somente. Mas a feira nos aguardava, e precisávamos ir. Com muita dificuldade, nós dois levantamos e nos arrastamos até o café da manhã.

No salão de café, mais de 14 chineses trabalhavam servindo o café. É incrível como tudo aqui tem muita, muita gente trabalhando. Ainda que algumas coisas pudessem ser automáticas, em todo lugar sempre tem gente sobrando. Na recepção do hotel, por exemplo, são sempre 6 chineses atrás do balcão – que só possui 3 computadores. Aguardando fora do hotel, 3. É tudo assim, muito chinês pra pouco serviço. É como se a própria sociedade se preocupasse em “esbanjar pessoas” para ninguém ficar desempregado...

Sobre a feira, bem... É realmente algo inimaginável para nós, brasileiros. A feira tem 3 grandes áreas, cada uma dividida em seções (que somam 16 no total), e cada seção com 3 andares. Cada andar de cada seção possui mais ou menos o tamanho de um Anhembi, e cada um desses Anhembis é de um tema diferente. Um deles, por exemplo, é de iluminação; artigos de construção, bens de consumo eletrônicos, máquinas pesadas para construção, carros... Tem de tudo. Em dois dias, devemos ter visitado cerca de 5 ou 6 seções destas pequenas (Anhembis). Além de exaustos, estamos muito impressionados.

E o que impressiona, na verdade, não é o tamanho da feira. Tentarei explicar o que, realmente, faz da feira tão especial... Se vamos a uma feira no Brasil e vemos, por exemplo, uma máquina que “imprime” fotos em 3D num pedaço de madeira, nós ficamos impressionados e podemos comprar “uma” máquina para abrir nosso negócio. Assim, nosso negócio terá um diferencial único (por exemplo, podemos ter um negócio de brindes de casamento que imprima a foto dos noivos na madeira em 3D, ou algo assim). Mas aqui, aquela máquina é vendida em lote, em container. Você não pode comprar uma; você precisa comprar pelo menos 30. Ela é produzida em série! Entende a diferença?! No Brasil, uma máquina dessas jamais seria produzida em série... Aqui, tudo é produzido em série – mesmo máquinas com aplicação específica.

Com isso, a feira se torna interessante para quem quer ver novidades, mas não interessante para quem quer abrir um negócio para o consumidor final (por exemplo). Um empresário que queira realmente usar algo exposto na feira terá de procurar um trader que negocie uma quantidade pequena daquelas máquinas. Aqui, os negócios são sempre monstruosos...

E eu falei da beleza das cantonesas... Hoje caminhamos bastante por Guangzhou, e preciso mesmo comentar – sem qualquer apelo – que aqui no sul as mulheres são muito belas. Eu não tenho nenhum “quê” por orientais (ainda que muita gente ao meu redor tenha a certeza disso! risos), mas eu vejo sim muita beleza nelas. E as daqui têm exatamente a beleza que nós, brasileiros, admiramos. Aqui é um bom lugar para arrumar uma esposa chinesa, caso alguém aí esteja procurando (risos)...

O trânsito aqui continua um caos, a poluição continua em níveis elevadíssimos e os arranha-céus continuam arranhando os céus! E os produtos continuam muito baratos, para desespero das nossas economias. Mas sobre isso não falarei muito, que esta parte eu pretendo me esquecer (risos)! E é só isso. Por aqui, fizemos pouco turismo e muita feira... Amanhã, porém, Beijing nos espera. Depois Xi’an e Hong Kong, antes de voltarmos para a 3ª fase da feira e finalmente partirmos para o Brasil. Agora sim o turismo reinará na viagem; possivelmente amanhã estaremos na muralha da China! A ansiedade está muito grande!! Abraços, e ponto.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

[Ops!] O cartão de memória

Sabe aquele cartão de memória, que nos custou muito a encontrar algum compatível com a câmera? Pois bem... Primeiro dia de feira, tiro uma calça social da mala e o que é que cai do bolso dela? O cartão de memória da minha câmera, que eu achei que tinha deixado no Brasil! "What are the odds?!"

[Sobre a China] Cartão de crédito?

Um comentário rápido, de utilidade pública: cartões de crédito só funcionam em estabelecimentos grandes. Dinheiro vivo aqui é muito mais usado. Por isso, vale trazer bastante dinheiro no Travel Card, ou contar com um cartão de débito que possa fazer saques por aqui (é o que nos salvou)!

Shanghai: curiosidades e o Yuyuan Garden

Quando estávamos chegando na China, o chinês que estava do meu lado no avião (muito simpático, por sinal) me disse “Shanghai!!”, empolgado, apontando pela janela. Mas tudo o que eu conseguia ver era uma névoa densa e o topo de alguns arranha-céus... Perguntei se a neblina era normal e ele disse que sim. E isso seria confirmado, mais tarde, pelo Alexandre, que afirma que “Shanghai parece uma ilha!”.

A afirmação faz sentido, mas não conseguirei postar as fotos agora para comprovar isso (talvez vocês possam ver no meu Facebook, é público e inclusive dá pra assinar o “feed”). O que acontece é que a poluição em Shanghai é tão forte que não é possível ver mais do que a dois blocos de distância. Você olha para o horizonte e não vê prédios, mas eles existem – e como existem! Ou seja, parece uma ilha: os prédios acabam logo ali e não tem mais nada... É incrível!

Por conta desta poluição, muitos chineses usam máscaras para andar na rua – sim, aquelas máscaras que as pessoas usaram quando teve toda aquela bagunça da gripe suína!! É super normal, principalmente quem anda de bicicleta ou moto.

E por falar em moto... O trânsito aqui é uma loucura. Sério, é uma loucura. Existe uma “ciclofaixa” (que serve também para motos) muito bem separada – nesta parte eles têm um respeito enorme, mas o resto do trânsito é inteiro caótico. Aliás, a ciclofaixa também! Vou tentar descrever alguns motivos...

O primeiro é que o semáforo não serve pra nada. Na verdade ele serve: é uma sugestão. Quando está verde, ele sugere que você siga. E quando vermelho, sugere que você pare. Se você não quiser parar, pode seguir! E se tiver alguém na sua frente parado, buzina e vai empurrando! Tranquilo, não tem problema algum!

Semáforo de pedestre? Sim, existe! Mas também é uma sugestão. Eu tenho a impressão de que atravessar no vermelho é mais seguro do que no verde. Sabe aquelas coisas que você só entende depois que viaja? Bem, eu finalmente entendi o joguinho da galinha atravessando a rua (lembra? No Atari?). É o reflexo perfeito do trânsito por aqui! Até por isso foi difícil correr pela rua, corri somente no parque por segurança...

E tem os guardinhas, que não servem pra nada também! Eles ficam só olhando... Pra vocês terem uma ideia, hoje, em Guangzhou (desculpe a falta de sequencia temporal aqui, mas esse caso ilustra algo absurdamente perfeito sobre o assunto) o ônibus que nos trazia de volta ao hotel (da feira, isso eu conto depois) tentou simplesmente entrar na contramão de uma via movimentadíssima, na qual ele andaria por 50m até a entrada pro hotel. Sério, foi caótico! E dois guardinhas na esquina olhando e conversando como se nada tivesse acontecido! Ficamos ali por quase 15 minutos sem sucesso, trancando metade da rua e toda a faixa de pedestres, até que um policial sugeriu que o ônibus desistisse. Não deu pra crer naquilo que ocorreu!!

Mas enfim, estamos na China, e tivemos a certeza disso no Yuyuan Garden. Lá é onde todos aqueles presentes e “coisas chinesas” estão disponíveis por alguns dólares. Nos empolgamos tremendamente por lá, mas vou pular estes detalhes... Mas é um desses lugares que é necessário visitar quando em Shanghai! Tudo muito impressionante...

A seda e a jade aqui são bem típicas, e as “joias” e roupas femininas que carregam a cultura chinesa são realmente impressionantes.

Bem, saímos do Yuyuan exaustos e voltamos para casa, para arrumar as malas e partir para Guangzhou. Mas como ao redor da casa do Alexandre tem pelo menos cinco casas de massagem, parei e fui experimentar a “típica” massagem chinesa. Sem conotação sexual aqui (se tivesse eu jamais postaria aqui! risos). A mulher literalmente me desmontou e montou de volta. E só tinha 20 anos... Enfim, não farei maiores comentários sobre o assunto, mas a massagem por aqui é levada muito a sério como “qualidade de vida”, e vale sim ser experimentada!

E, enfim, nossa primeira estada em Shanghai acabou. O destino agora era Guangzhou, onde a primeira fase da feira de Cantão nos aguardava! Aliás, a feira nos aguardava, e a beleza das cantonesas (risos)... (Mas mãe, fica tranquila que o pai não está olhando!). Abraços, e ponto.

Shanghai!

(Ih gente, desculpa! Estava mandando os textos pro endereço errado, vai acumular e é texto pra caramba!)

O jet lag nos fez ir dormir às 17h do dia anterior, e até parece que nosso sono foi até as 5h. Deviam ser mais ou menos 3h da manhã quando me virava sem dormir na cama e escutei meu pai com voz firme, sem qualquer sinal de sono, me perguntar se eu também não estava conseguindo dormir. É claro... Não era cansaço, é simplesmente o fato de estarmos com 11 horas de diferença do nosso relógio biológico o problema. E eram 7h quando pulei da cama. “Vou comprar leite e pão”, disse ao meu pai, crente que essa missão seria simples. Leite? Pão? Em Shanghai?

Como estamos hospedados com um amigo, estamos mesmo “em casa”. Ou seja, não é um hotel com cozinha internacional, temos que comprar o que vamos comer e isso tem lá sua graça. Saí na rua como uma barata tonta, e com a missão na cabeça. Saquei meu telefone e busquei por “pão” no dicionário. Mianbao, ele disse; ok, lá fui... Passeei um pouco até que passei por uma vendinha bem pequena com alguns pacotinhos que pareciam ser pães. Arrisquei um inglês com a vendedora e ela disse não, virando a cara. Isso é algo engraçado aqui em Shanghai: nos comércios pequenos, quando você tenta falar inglês e a pessoa não sabe, ela simplesmente vira a cara como quem quer se livrar de você! Mas eu tinha uma carta na manga, e arrisquei meu mandarim (risos)!! Zhèige shì mianbao? E ela concordou, perguntei quanto era, paguei e vim embora! O pão estava comprado – fazer as aulas de mandarim foi uma decisão muito acertada -, agora faltava o leite e a margarina, e já se passavam cerca de 30 minutos.

Voltei pra casa meio desolado, mas decidi que não podia desistir. Era nosso café que estava em jogo!! (risos) Saí novamente atrás do leite, e – para minha surpresa – encontrei três lojas da FamilyMart no caminho. Estas lojas são como mercearias aqui, tem em toda esquina e vendem o básico do dia a dia. Consegui comprar leite ali, inclusive lendo a tabela nutricional para encontrar o leite desnatado (!!!!), mas nada de manteiga. O chinês da loja pareceu não gostar muito de eu ter perguntado.

O resultado? Mais 20 minutos de caminhada, e o café com leite foi com pão seco mesmo! Aliás, o pão seco que ninguém gostou, só eu. E depois sou eu o que tem problemas com comida... Sei...

Enfim, passado o episódio, fomos conhecer um pouco da cidade. O primeiro “alvo” foi o Jing’an Temple, um templo budista muito antigo onde as risadas e as bocas abertas são garantidas. Logo na entrada, somos “convidados” a fazer uma oração, acendendo um incenso e rezando de pé... Apenas o Alexandre fez o ritual, eu e meu pai ficamos acompanhando de longe e admirando aquilo... Depois, a parte divertida: havia um grande monumento de metal ali, e a diversão era tentar acertar uma moedinha dentro dele. Os buracos eram muito altos e, por mais ridícula que possa parecer a brincadeira, demos boas risadas...

Adentramos o templo e tudo era muito impressionante. No meio de uma Shanghai coberta de prédios assombrosos em tamanho e tecnologia, um templo completamente feito de madeira encaixada (nada é pregado), com detalhes simétricos e precisos... É impressionante, não há palavras para descrever a arte que é um templo budista. E como é impressionante, saquei logo minha câmera para tirar muitas fotos!

Qual não foi a minha surpresa ao notar que meus cartões de memória haviam ficado todos em Curitiba?! Fenomenal, presepada de primeira... As fotos do templo ficaram por conta do iPhone, e dali saímos para a People’s Square. Logo que chegamos no lugar consegui comprar um SD de 16GB, que de RMB150 saiu por RMB40 (após negociação). E qual não foi a nossa surpresa ao descobrir que a câmera, muito antiga, não reconheceria o cartão de memória. Novamente, iPhone reinando nas fotos do dia!

Mas, falando do People’s Square, muito legal o local também. Foi a primeira praça que visitamos, e tivemos contato com a cultura cotidiana local. Vimos uma espécie de apresentação/competição de velhinhos, que dançavam alegremente uma coreografia, e também vimos muita gente tendo aulas de Taishi (seja lá como se escreve...) ao ar livre, como que com professores voluntários. Também haviam aulas de dança, o clima nos parques é muito interessante...

Falando um pouco do Taishi, ali fica claro do porquê os chineses conseguem ter esta saúde e qualidade de vida... A arte mexe com a cabeça e o corpo, fortalecendo e mantendo o equilíbrio dos dois... São movimentos bem lentos e precisos, em um ambiente aberto, muito verde e bastante calmo. Fiquei com certa inveja dos velhinhos na China, provavelmente vou envelhecer escutando algum funk carioca, mesmo que fuja para algum lugar isolado no Brasil... (risos)

Ao final deste dia, pegamos um táxi e fomos direto para um outlet onde encontramos a Decathlon e o Media Markt. Ali, as compras começaram, mas vou pular esta parte pois é até triste de lembrar! Só digo que quase tudo, mas quase tudo mesmo, vale a pena por aqui!

Ah, a parte que vale ser comentada: com muito esforço, o pessoal do Media Markt conseguiu encontrar no fundo do estoque um cartão de 2GB, e eu finalmente poderia usar minha máquina no dia seguinte! Isso foi bem bacana... De quebra, fiz um “Membership Card” da loja. Espero mesmo não usá-lo, sob o risco de ter de vender meu corpo para poder voltar pra casa (risos).

E o dia chegou ao fim, mas não Shanghai. No dia seguinte, fomos ao Yuyuan Garden e ficamos novamente loucos com compras de “coisas chinesas”. Mas por hoje é só, vamos embarcar agora para Guangzhou e o relato do Yuyuan, tal como algumas informações úteis de Shanghai, ficarão para amanhã! Ou hoje mesmo, dependendo de onde você estiver... A propósito: estamos 11 horas à frente do Brasil. Abraços, e ponto.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Destino: Far, far away kindgom

E chegamos ao “reino tão, tão distante”... De repente, estávamos do outro lado do mundo, eu e meu pai... Confesso que a chave ainda não caiu, mas é inegável – julgando pelo “tamanho” da viagem – que estamos do outro lado do mundo. Veja só: nós saímos de Curitiba às 18h40 de sexta-feira, e só chegamos ao nosso destino final no domingo de manhã – horário local. Para ser legal com o horário, chegamos em Shanghai às 22h50 de sábado do horário do Brasil. Quer ver como é longe? Quando eu saí do Brasil, ainda tinha gente em Curitiba que iria correr a Volta à Ilha de Florianópolis. Quando eu cheguei em Shanghai o pessoal todo já tinha ido pra ilha, corrido a prova inteira e já deviam estar na balada – depois do jantar. E eu, nesse tempo todo, em trânsito... Entendeu?!

Acho que a melhor comparação para este voo é a de uma maratona ante uma meia maratona. Quando você corre os 21.097m, você cansa. Mas quando você chega na metade de uma maratona, aí sim é que começa a prova (você chega completamente descansado)... Aqui foi igual. Chegamos em Frankfurt como novos; dormimos a noite inteira, e a viagem “voou”. Mas isso não ocorreu no segundo voo...

É que no primeiro voo foi fácil: estávamos no “nosso horário” e, por mais que chegássemos em Frankfurt às 14h30, dormimos até as 7h do nosso relógio biológico, o que nos rendeu boas 9 horas de sono! Só que o segundo voo era novamente contra o fuso. Ou seja, estávamos avançando e a noite vindo contra nós... O resultado foi que este voo, o segundo, atravessou uma noite que o nosso relógio biológico “não localizou”! Eu só lembro que eram 6h45 no horário local, ainda tínhamos uma hora de voo, eu não tinha dormido nada, não aguentava mais ver filmes nem ficar sentado, e tentei me forçar a dormir. Não consegui, mas acho que valeu a tentativa...

Enfim, chegamos! E, após uma demora nas bagagens (que já deixou meu pai preocupado  - eee seu Netzka!!), passamos pela imigração (muito rápido!) e fomos nos encontrar com o Alexandre. Mas ele não estava lá – do contrário, só tinha um monte de gente igual esperando por alguém que não éramos nós! Então, encontramos um telefone público para ligar pra ele, e aqui aconteceu uma coisa engraçada...

A sequencia foi mais ou menos a seguinte: tiramos dinheiro no caixa automático, que só saca notas de RMB100. Trocamos o dinheiro em uma loja do aeroporto, e compramos o cartão telefônico na outra máquina. Então fomos usar o cartão telefônico para ligar, mas não sabíamos como ligar (aqui os números têm muitos dígitos, e não tem DDD). Voltamos à loja que trocou o dinheiro, perguntamos (a resposta é: aqui, o número de telefone é composto por todos os números mesmo; ou seja, tira o +86, é todo o resto!), e então conseguimos ligar! Mas o telefone deu ocupado. Desligamos um pouco desanimados e estávamos a caminho de procurar o Alexandre pelo saguão do aeroporto. E o telefone público tocou! Olhei desconfiado, e meu pai disse “vou atender”. E atendeu, e era para gente mesmo! Que tal, dois brasileiros atendendo o telefone no aeroporto de Shanghai?! Nada mal para um começo de viagem!

Bem, finalmente nos encontramos, e deu tudo certo. Um pouco cansados, “jet lagged”, e – pelo menos eu – ainda sem cair muito a ficha do quão longe de casa estávamos, percorremos quase uma hora de metrô e finalmente chegamos em casa. Sem muito turismo no primeiro dia: pizza, passeio rápido pelos shoppings e cama – muito, muito sono! O turismo ficara para o outro dia – e quê turismo! Abraços, e ponto.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Está chegando...

Está chegando o grande dia. Compramos a passagem em agosto do ano passado, com o maior descompromisso. "Vamos pra China?", perguntei ao meu pai. "Então vamos! Compre lá as passagens." Soou tão simples que parecia até brincadeira. Mas o papo ficou sério, e sexta-feira estamos embarcando!

Aqui, pretendo contar todos os "causos" e descasos da nossa viagem, como um diário de bordo mesmo, passo a passo. Assim, mais tarde me procure a amnésia, poderei ainda dar algumas risadas com o registro das memórias.

A propósito: o nome deste blog significa "Eu sou brasileiro", em mandarim. Das coisas que sei falar no idioma, com certeza esta é a que tenho maior fluência. (risos)

Um abraço e até breve! ponto.