Já era hora de fazermos alguma presepada digna de ser contada. E hoje conseguimos! Estamos há dois dias em Pequim e hoje nos perdemos feito dois turistas brasileiros na China mesmo! Mas antes de contar sobre o dia de hoje, vou fazer alguns comentários a respeito das sensações e impressões que estou tendo do país...
É impressionante como tudo na China é grande. Eu sei que o assunto é repetitivo, mas é mesmo impressionante... Tudo aqui é “muito”. Existem shoppings com dois andares de lojas que vendem apenas óculos (de sol, de grau e de nada, porque aqui é moda usar um óculos sem lente). Entramos ontem em um shopping de móveis aqui em Pequim, e eram 6 andares de lojas, cada andar com talvez 10 ou 12 lojas diferentes (de fábricas diferentes). E isso era “um” shopping.
E é engraçado porque, mesmo que eles sejam burocráticos, eles são muito ágeis. No aeroporto, por exemplo, para entrar na sala de embarque eles conferem a identificação de todo mundo, confrontando com a passagem aérea e com a sua imagem (foto versus rosto). Porém, para fazer isso, eles juntam muita gente! Em Guangzhou, que era um aeroporto pequeno (para os padrões da China, naturalmente), tinham nada menos do que 20 guichês para entrar na sala de embarque, e em cada um deles trabalhavam 6 chineses. Você consegue imaginar isso? São 120 chineses somente para conferir a entrada na sala de embarque do aeroporto! No Afonso Pena são... 6 brasileiros? 9 em dias de pico?
Mas enfim, chegamos em Pequim e começaram as presepadas... Do aeroporto resolvemos vir de taxi. Foi a primeira vez que estávamos sem o Alexandre, nosso cicerone (risos), e por isso era comigo e com o meu pai o assunto agora. Pois bem, entramos no taxi e mostramos o voucher do hotel... Não adiantou nada: os chineses (principalmente os mais velhos) não sabem ler nosso alfabeto. Por isso, quando você vier pra China, trate de trazer o nome e o endereço dos lugares em mandarim mesmo (ideogramas). Precisei ligar para o hotel e pedir instruções (bendita ideia de quem me fez comprar um chip de celular em Shanghai)!
Bem, chegamos no hotel e, para nossa surpresa, é um Aparthotel. Dois cômodos, sofás, TV enorme na sala, internet, geladeira, fogão e... máquina de lavar roupas!!!! O único problema está saber usar uma máquina com tudo escrito em mandarim, mas já conseguimos lavar uma maquinada (só não conseguimos enxaguar direito, mas ligamos novamente o ciclo sem colocar sabão e tudo correu bem!).
A viagem pra cá foi bem demorada, atrasou mais de uma hora no aeroporto (chovia muito) e o resultado foi que chegamos no hotel somente às 14h – sem comer nada desde as 7h (o café no avião foi muito chinês!!!). Saímos famintos daqui, e a Pizza Hut nos salvou a vida! Só que voltamos pra casa e capotamos. Ainda não eram 18h quando eu capotei no sofá, e resolvi que nem iria comer mais nada, nem fazer mais nada... Fui pra cama: se acordasse cedo, ainda ligaria pro pessoal na GHN pra saber como estavam as coisas e se havia algo em que eu pudesse ser útil... Mas quem disse que acordei?! Eram 9h quando abri os olhos... Foram 13 horas de sono sem o menor peso na consciência. E meu pai – fui saber depois – também não ficou muito atrás! Ufa, recuperamos o sono!!
E daí resolvemos fazer um turismo por aqui mesmo hoje... O destino: a cidade proibida! Aqui começa a presepada...
Pegamos um taxi e fomos direto ao Tian’anmen, porque eu não sabia falar cidade proibida em chinês – e o Tian’anmen fica logo em frente! E lá paramos, e assim que descemos do taxi vimos uma multidão enorme. Sério, era muita gente... Tipo umas 50 mil pessoas, pelo menos... Elas formavam uma fila enorme, e concluímos que era a fila pra entrar na cidade proibida! Na verdade, somos bons curitibanos e não resistimos a uma fila mesmo... E começamos a seguir a fila pra chegar à entrada dela...
Quando chegamos, um dos responsáveis por organizar a fila nos disse que não poderíamos entrar com a bolsa da câmera nem com a câmera! Como ele viu que éramos estrangeiros, ele foi muito “simpático” e nos levou até o guarda volumes. Deixamos lá a câmera e ele nos disse que estávamos bem, porque não precisaríamos ficar na fila. Com um pouco de receio aceitamos, pois ele realmente era da organização do local... Então chegamos bem perto da entrada e ele nos disse que estava fazendo aquilo por dinheiro... Demos muita risada ao perceber que, na realidade, aquele cara (que realmente trabalhava no local) estava corrompendo a própria organização. Nós pagamos ele e ele nos mandou entrar na fila, sem explicação nenhuma... Simplesmente furar a fila! Haviam muitos chineses cuidando da fila, e todos fizeram vista grossa... Devemos ter pulado umas 40 mil pessoas (risos) e, apesar do peso na consciência, vimos isso acontecer muitas vezes depois. Isso nos rendeu mais algumas risadas...
Mas seguimos a fila e, ao passar por um novo check de segurança, vimos umas pessoas comprando flores. Poucos minutos depois tivemos a certeza (meu pai já desconfiava): que cidade proibida, que nada! Estávamos na tumba do Mao Zedong!!
Bem, havíamos perdido uma hora mas não foi exatamente uma perda. É incrível, na realidade, ver como ele exerce uma força aqui nos chineses... Era muita, muita gente, na fila para simplesmente passar e, eventualmente, deixar uma flor, para aquela figura... Ele foi muito mais do que um maluco que ergueu a China: ele foi um líder carismático com muita força por aqui. Ficamos mesmo impressionados...
E saímos da tumba, por trás da tumba, e demos de cara com uma construção que parecia mesmo o Tian’anmen! Atravessamos a rua e, logo depois dele, havia um portal menor, muito chinês, e uma rua enorme (mesmo!) cheia de lojas! Não sei qual foi o lapso aqui, mas novamente fizemos errado. Desta vez, gastamos praticamente o dia todo nesta rua, imaginando que isso era a cidade proibida. Sério, não sei qual foi o lapso, mas sei que compramos muito (muuuiito) e só desconfiamos que não estávamos na cidade proibida lá pelas 15h.
Olhando de fora (e escrevendo agora) é ridículo, na verdade! Conhecemos a tal da cidade por fotos, já ouvimos falar, e etc, e etc, e etc... Mas na hora pareceu muito correto, nem nos ligamos! (risos) Como já estava tarde, e temos muito tempo aqui em Pequim (só partimos na terça-feira), resolvemos voltar outro dia com calma e conhecer a cidade proibida e os parques ao redor...
E hoje voltamos cedo pra casa para descansar... Amanhã às 7h partimos para a Muralha. Acho que será um dos pontos altos da viagem (literalmente, inclusive)! Abraços, e ponto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário